Esta malta trata por TUU

Obras: dizemos a palavra e vêem-se logo olhos a revirar e narizes torcidos. Começamos logo a pensar se é realmente preciso contratar um arquitecto e depois lançamo-nos na aventura de encontrar um empreiteiro que seja honesto e cumpra prazos. Quando as paredes já foram abaixo é que vamos tratar da compra dos materiais – é que, afinal de contas, o orçamento previa aqueles azulejos baratos e queremos algo com mais qualidade. Entretanto choveu e o pintor não apareceu. Devíamos ter feito um contrato a sério. E instalaram a torneira na parede errada porque não pudemos acompanhar cada etapa e não percebemos nada de construção.

Esta história é sobre 3 amigos que criaram uma empresa que dá resposta a estes desafios.

Conheceram-se em 2009, durante a reabilitação da escola secundária Infanta D. Maria, em Coimbra: Hélder Loio era director de fiscalização, Leonardo Crisóstomo era o seu estagiário e Hugo Tocha era adjunto do projectista da escola. Uns anos mais tarde, em meados de 2015, por razões diversas, o trio começou a desenvolver ideias de negócio (campos de padel, gelatarias, hotéis na baixa de Coimbra) até que alguém lhes disse Se vocês querem brincar às empresas, ao menos brinquem àquilo que vocês sabem e isso são obras. Foi assim que, em reuniões que aconteciam às quartas-feiras, na Tasca de Santana, os 3 amigos montaram uma empresa de Coimbra para o mundo.

Fomos saber mais.

O que é a TUU?

A TUU é uma empresa que faz planeamento e gestão de projecto para obras: do arranque à conclusão da obra, tudo é gerido para garantir a satisfação e proteger o investimento. No fundo, é uma solução chave na mão para quem quer ajuda nas várias fases da obra: presta serviços de arquitectura, de coordenação técnica do projecto (assegurando a coordenação das várias equipas envolvidas), de apoio à negociação de contratos e ainda de acompanhamento e fiscalização. Naturalmente, a TUU pode fornecer apenas os serviços que vos façam falta.

Foi na franja dos clientes pequenos que tudo começou. (Entre risos, contaram-nos que uma das primeiras obras foi uma pequena casa de banho da irmã de um dos sócios.) A ideia era a de transportar todos os procedimentos que usaram em projectos grandes, de experiências profissionais anteriores, para clientes com necessidades de menor dimensão - mas com o mesmo afinco

Bastaram 3 anos para a empresa passar de 3 sócios para uma equipa com mais de 30 pessoas. O perfil do cliente também mudou para o chamado cliente completo: chega e nem sabe muito bem de que negócio precisa e a TUU aconselha “com este tipo de imóvel e este dinheiro podemos optimizar desta forma” e fazemos projecto, fiscalizamos tudo

A pegada da TUU em Coimbra é visível, basta reparar em vários cartazes espalhados pela cidade. As obras realizadas já mudaram algumas zonas como o Bairro Norton de Matos, onde se encontram 4 moradias reabilitadas, e outras 3 aguardam o processo de licenciamento para avançar. A empresa entende serem projectos que respeitam a pré-existência e preparam o Bairro para os próximos 50 anos mas deixa o apelo à Câmara Municipal de Coimbra (CMC): era necessário que a CMC voltasse a investir no espaço público. E lança uma sugestão concreta: transformar a praça em frente ao mítico Samambaia e à escola primária numa praça com zonas infantis, zonas para eventos, esplanadas requalificadas e com tráfego reduzido. Mas a impressão digital da TUU está em muitos outros locais da cidade como na rua Corpo de Deus, na Praça 8 de Maio, na rua Visconde da Luz e até o conhecido restaurante Zé Neto foi remodelado com a ajuda da empresa.

Porquê TUU? Hugo explicou-nos que há uma ideia de proximidade associada ao nome e que tem a ver com a forma que nós temos de ver a vida que não precisa de ser sizuda. 

E o que é a Buildtoo?

A TUU tem mostrado um crescimento constante mas a aposta base é no desenvolvimento de uma base tecnológica para a empresa. No início, o desafio era fácil de enunciar mas difícil de responder: Como é que transformamos o nosso serviço num produto?

A 1.ª vez que foram bater à porta do IPN disseram-lhes que não eram suficientemente tecnológicos. Mas fomos lá de novo e insistimos, dêem-nos uma oportunidade porque sabemos de gestão de projecto e queremos a tecnologia.

Assim que instalaram arraiais no IPN tudo mudou: fomos obrigados a definir um plano de negócio, a cumpri-lo e a pensar na oferta de base tecnológica. Um factor decisivo foi a participação num programa de aceleração de ideias. Hugo explicou melhor: isto podia ter sido uma empresa a vender serviços de design pela internet ou arquitectos ao minuto e temos planos de negócio para várias ideias. Ao termos que pivotar uma ideia, percebíamos se ía ou não dar dinheiro e hoje está a acontecer aquilo que definimos depois da 4.ª ou 5.ª ideia pivotada. Isto não foi aquilo que sonhámos ter, foi o resultado de reflexão e teste.

A 1.ª vez que foram bater à porta do IPN disseram-lhes que não eram suficientemente tecnológicos. Mas fomos lá de novo e insistimos, dêem-nos uma oportunidade porque sabemos de gestão de projecto e queremos a tecnologia.

Assim que instalaram arraiais no IPN tudo mudou: fomos obrigados a definir um plano de negócio, a cumpri-lo e a pensar na oferta de base tecnológica. Um factor decisivo foi a participação num programa de aceleração de ideias. Hugo explicou melhor: isto podia ter sido uma empresa a vender serviços de design pela internet ou arquitectos ao minuto e temos planos de negócio para várias ideias. Ao termos que pivotar uma ideia, percebíamos se ía ou não dar dinheiro e hoje está a acontecer aquilo que definimos depois da 4.ª ou 5.ª ideia pivotada. Isto não foi aquilo que sonhámos ter, foi o resultado de reflexão e teste.

No final do primeiro ano (2016) , já havia uma ideia mais concreta do que podia ser a plataforma e, em 2017, puderam ir ao Web Summit apresentar a Buildtoo, um software de gestão de projectos - o primeiro no país, o primeiro na Península Ibérica. O IPN obrigou-nos a nunca desistir desta ideia, se não teríamos sido apenas mais uma empresa de arquitectura e engenharia .

O software da Buildtoo dirige-se a gestores de projecto e investidores/proprietários. É um sistema em cloud que dá acesso em tempo real à planificação da obra, a todos os orçamentos, aos documentos actualizados, a fotos, ao cronograma da obra, a mensagens em tempo real, à solicitação do licenciamento, a notificações e alterações ao cronograma automáticas, a um diário da obra no site, com acesso mobile e muito mais.

Em 2018, a TUU fechou o ano com 130 projectos públicos e privados e só no 1.º semestre de 2019 já facturou praticamente tanto como em todo o ano passado. Hoje em dia, a empresa está envolvida em mais de 50 projectos e obras por mês. Este crescimento só é possível porque os projetos são cada vez mais ambiciosos e a equipa cada vez mais rotinada. 

O segredo por detrás do sucesso também está na elevada taxa de retenção dos colaboradores e no facto da empresa ter sido construída com seniores e não com estagiários. As pessoas já passaram por outros sítios e valorizam a empresa que está a crescer todos os dias um bocadinho, que as ideias são ouvidas, as boas ideias são implementadas rapidamente, as pessoas acreditam que faz a diferença correr, a equipa corre connosco.

Qual foi o projecto mais marcante?

Houve um que mexeu com a equipa toda: depois dos fogos em Pedrógão, em Junho de 2017, a TUU foi contratada para fazer um levantamento de uma região muito alargada das casas que tinham ardido. Na sequência desse levantamento, fizemos a fiscalização e a coordenação de uma série de casas (cerca de 40). Não foi a fiscalização mais complexa nem o projecto mais exigente mas tivemos uma equipa no terreno e as pessoas regressavam ao escritório a sofrer. Sempre que um fiscal dizia "quinta-feira vou entregar mais duas às famílias" todos sentiam que era um projecto realmente importante porque toca um bocadinho a todos.

O que gostavam que a TUU mudasse em Coimbra?

As ideias saltaram em segundos. Hugo gostaria de reabilitar um edifício que se encontra à chegada da cidade, na Casa do Sal, antes de subir para a Rua de Aveiro, e de criar um sistema de mobilidade entre a Alta e a Baixa. Leonardo gostava de dar uma alma nova ao Hotel Astoria. Hélder disse-nos que ainda é do tempo em que se ía à Baixa passear e fazer compras e que o projecto que gostava de implementar era justamente esse: reabilitar o casco velho da cidade, desde a estação nova até à alta e fazer com que os meus filhos soubessem o que é isso.

Texto: Joana Pires Araújo
Fotos: TUU

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