FORA DA CAIXA | Cláudia Carvalho, actriz

40 anos, alentejana de Grândola, viveu muitos anos em Alcácer do Sal e agora vive em Coimbra. Aos 18 fez Estudos Teatrais em Évora, mas na altura sentiu que não era bem aquilo. Mais tarde inscreveu-se no Cendrev, companhia residente do Teatro Garcia de Resende, e aí sim deixou-se encantar pela beleza do Teatro. Depois de acabar o curso, aos 21, foi convidada para permanecer na companhia. Ficou por um ano até surgir a oportunidade de fazer um casting no Teatrão, em Coimbra. Veio e por cá continua. Mãe de uma menina de 5 anos, foi professora e formadora de miúdos que querem ser actores no Colégio S. Teotónio, mas agora está a fazer uma pausa (parcial) no ensino para se dedicar ao teatro. Integrou recentemente o elenco da peça Richard's, um espectáculo de estética punk que adaptou Ricardo III de Shakespeare aos nossos dias. Depois de uma primeira temporada, praticamente esgotada, vai ser reposta no Teatrão em meados de Setembro.

- Se não precisasses de dormir o que é que farias com o tempo extra?

Lia muito! Peças que tenho em atraso, outras relia.

- Que pequenas coisas melhoram o teu dia?

Tomar café a seguir ao almoço. Um beijinho da minha filha logo quando acordo. Um pijama quentinho quando chego a casa e comida. Felizmente, tenho um marido que é um bom cozinheiro e é uma coisa com a qual não me preocupo muito, tenho sempre um bom petisco à minha espera.

- Que série ou filme te recusas a ver?

O Senhor dos Anéis e essas coisas assim.

- O que é que qualquer pessoa devia fazer, pelo menos, uma vez na vida?

Só me vem à cabeça viajar. E também a experiência de ser mãe, no caso de ser mulher.

- Qual é o sítio mais relaxante onde já estiveste?

Acho que foi Corfu, na Grécia. Fomos num cruzeiro na lua-de-mel, às ilhas gregas, Itália e Croácia. Adorei Corfu, senti-me totalmente em paz para além de ser lindíssimo.

- Tens algum medo irracional?

Não sei se é irracional, tenho muito medo de alturas. E de andar de avião.

- Qual é o melhor conselho que já recebeste?

Eu era muito insegura, continuo a ser mas um bocadinho menos. Cruzou-se comigo um senhor, António Mercado, ele disse-me uma coisa que me fez continuar a querer seguir [teatro] e não foi nada de especial, foi: Cláudia, tu tens uma sensibilidade muito, muito especial para o teatro. Tens que aproveitar isso. E eu na altura pensei: Sensibilidade? O que é que ele quer dizer? Mas agarrei-me a isso e pensei: Ok, se calhar é por aí o caminho. A partir daí comecei a acreditar mais em mim.

- Que hobby terias se o tempo e o dinheiro não fossem um problema?

Viajar.  O que é péssimo porque não gosto de andar de avião, mas há sítios que podemos visitar sem ser de avião e Portugal tem sítios maravilhosos.

- Se pudesses fazer uma só regra que toda a gente seguisse, qual seria?

Evitar conflitos. Detesto conflitos e fujo muito deles e isso não é bom. Acho que, às vezes, é preciso enfrentar as coisas de frente. Eu acho, mas não consigo fazer.

- O que é que os teus amigos consideram ser tão teu?

Boa ouvinte. Tenho uma tendência natural para ouvir. Pessoas que eu não conheço vêm ter comigo e, de repente, sei a vida toda delas. Nunca percebi muito bem porquê.

Por que decidiste ser actriz?

Abriu um curso no Cendrev, que é a companhia residente do Teatro Garcia Resende, em Évora, onde estava a estudar. Falei com o meu namorado da altura e ele dizia-me: Não vás para isso, nunca vais conseguir entrar. Ele achava sempre que aquilo não era para mim mas eu, às escondidas, fui experimentar. Acabei por ficar com o lugar, não sei como. Andei uns meses a fazer as duas coisas ao mesmo tempo, acabei o curso no Cendrev (o da faculdade não) e fui convidada para ficar na companhia. 

 

- Qual foi a melhor invenção dos últimos 50 anos?

A Internet. Apesar de eu não gostar muito de tecnologias, é tudo tão acessível. É a melhor e a pior! No meu tempo brincávamos na rua, lembro-me de estar ao fresco a brincar. A internet é muito boa porque dá acesso à informação que precisas na hora, lembro-me de estar a consultar livros na biblioteca da faculdade, demorava horas e nunca encontrava nada! Era uma seca! Por outro lado, liam-se artigos de melhor qualidade, agora lês tudo e nunca sabes muito bem o que lês.

- Se pudesses telefonar a qualquer pessoa no mundo e pudesses falar durante uma hora, quem escolherias?

Talvez o Putin. Estou tão embrenhada nesta coisa do Ricardo III e o encenador está sempre a dizer: O meu ídolo é o Putin. Você viu aquela foto em que ele está em tronco nu em cima de um urso? Como é que é possível?! Eu sempre disse ao Marco [António Rodrigues]: Isso é uma fotomontagem! E ele: Não é nada! Esse cara é um guerreiro! O Putin é um estratega e gostava de falar com ele, também não sei bem sobre o quê.

- Tens algum talento secreto?

Sou muito boa a limpar coisas. A tirar nódoas. Adoro limpar e ter tudo organizado.

- Qual a palavra mais irritante na língua portuguesa?

Muitas! Há um palavrão que é horrível, tanto em português como em inglês, mas não posso dizer.

- Que tendência gostavas que voltasse?

Os anos 80, mas sem as roupas e os penteados! Era um espírito diferente, havia as matinés...Sei lá, as coisas eram tão mais simples.

- O que mais anseias para os próximos 10 anos?

Nos últimos 10 anos estive na orientação dos miúdos, na encenação dos projectos deles, embora não seja encenadora, e essa é uma área que gosto imenso e pensei um dia mais tarde vir a focar-me nisso, em tirar o mestrado em encenação. Neste momento, quero fazer trabalho de atriz, porque tive tanto tempo sem o fazer e é onde me sinto bem. Por mim, estava ali o dia todo, a noite toda. O tempo não passa.

- Que título de filme descreveria a tua vida?

Ui! Isso é muito difícil! Teria de ser uma espécie de comédia.

- Que espectáculo gostarias de apagar da tua memória para depois o ver de novo?

O Jardim Zoológico de Cristal, de Tennessee Williams. Vi-o em Londres, não me lembro onde nem quem o encenou, mas sei que adorava fazer a personagem da mulher quando tivesse aquela idade.

- De que pergunta gostarias de saber a resposta?

Se fosse há alguns anos, talvez: Há vida após a morte? Mas agora tenho a certeza que há.


Associa palavras 

destino - futuro

comida - sushi

bebida - vinho tinto

actor - Johnny Depp

filme - A Pianista

série - Dexter

música - banda sonora do Pulp Fiction

objectivo - ser feliz

infância - terra

sonho - Tarantino


Preferias ser famosa em vida e esquecida na morte ou desconhecida em vida e famosa depois de morrer?

A segunda. Ser famosa não é nada que eu ambicione. Gosto muito do meu canto, das minhas coisas, de ir aos domingos almoçar ao restaurante Itália. Sabes, não sei se foi por ter estado muito perto da Custódia Gallego e da Inês Castel-Branco, nós não podíamos ir a nenhum lado, era horrível. Eu compreendo as pessoas, só que não sei se era uma coisa com a qual me apetecia lidar.

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Dinita
25.06.2019

Adoro esta miúda foi criada com o meu Miguel e Belinha adoro muitas felicidades Cláudia

Carla Pimentel
27.06.2019

Além de ótima profissional, a Cláudia é uma alma pura. Merece tudo o que a faz feliz.

Cláudia
28.06.2019

Adoro a Cláudia.
Soube gerir conflitos como poucos e tornou-se uma Amiga.
Lá estarei para o próximo ano, numa das suas classes do teatro.
Beijinhos
Graça Mendes