Andam à procura de boa comida servida num terraço apetecível?

Há uma zona na cidade que se transformou bastante nos últimos anos: Santa Clara ribeirinha acolhe agora gelatarias, restaurantes, cafés, lojas e um borbulhar de turismo que se rende à cidade que, dali, se exibe orgulhosa desde o largo da Portagem até à torre da Universidade.

À hora combinada, entrámos no n.º 4 da Rua Carlos Alberto Pinto de Abreu, mesmo ao pé do Convento São Francisco. É a porta da Hamburgaria Maneirista e do restaurante Cordel Maneirista, geridos pelo chef Paulo Queirós. É o melhor de dois mundos já que podemos optar por hambúrgueres artesanais ou pela carta de petiscos e pratos com substância que são o marco do antigo Cordel (o restaurante inicial que fidelizou muitos clientes pela sua cozinha genuína e que se mudou para esta nova casa há uns anos).

Esperava-nos uma surpresa: o almoço foi servido numa sala envidraçada no 1.º piso, com entrada pela Calçada Santa Isabel e com vista para o Convento São Francisco e para a cidade.

Esta novidade é recente e pretende separar as águas: o r/c do edifício passa a servir apenas hambúrgueres, bifes e petiscos, o 1.º andar será um restaurante com petiscos e o 2.º andar dispõe ainda de uma sala com capacidade para 25 pessoas onde se vão realizar workshops, tertúlias e outros eventos e onde se vai instalar a cozinha de investigação onde serão testados novos pratos e iguarias.

Lançámo-nos ao ataque: folhadinhos de queijo do rabaçal e compota de tomate (feita na Serra da Lousã com produtos biológicos) e um petisco de alheira, acompanhados por um copo de vinho tinto do Douro (100 Hectares). Os ingredientes são nacionais e há um cunho muito pessoal na composição da carta e dos pratos.

O nosso conceito é baseado em dois pressupostos: a origem e a contemporaneidade. Sou transmontano (apesar de não ter nascido lá) e a minha mulher é de Coimbra: a origem são os pratos transmontanos que temos na carta e a contemporaneidade é tudo o que diz respeito a Coimbra e à região Centro.

Passámos para uma pequena mostra dos hambúrgueres artesanais, feitos com 180g de vaca, frango ou salmão e ainda com opção vegetariana. Em todos, não há molhos para que as pessoas percebam a qualidade do produto. A verdade é que, quando os ingredientes têm qualidade (que é a palavra de ordem da casa), não há necessidade de os mascarar – menos é mais.

Por exemplo, o hambúrguer de salmão, servido em pão de alfarroba, tem lombo de salmão fresco picado com a faca e temperado com sumo de lima, gengibre e flor de sal, mais nada.

Compro pão de alfarroba e do caco a 20 cêntimos e este fica-me a 0,98€ mas é este que eu quero – há alguns princípios dos quais não abdico.

Guardámos ainda lugar para a galinha tostada com arroz de carqueja, um dos pratos clássicos da ementa que conta com outras estrelas como o polvo com batata doce, o robalo em espumante bairrada, a coxa de pato com frutos vermelhos e a alheira de caça com companhia. À sexta-feira é dia de cozido à transmontana, com direito a butelos, chouriço, abóbora, enchidos de sangue, farinheira, casulas.

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Fomos prestando atenção aos detalhes: a louça é Costa Nova, os guardanapos são de tecido e têm o nome do restaurante bordado, o serviço foi cuidadoso e simpático e há muita atenção no empratamento. Um pormenor curioso são os individuais de papel onde um sem fim de crianças deixam desenhos e escrevem a sua opinião sobre os hambúrgueres. Valorizo muito a opinião das crianças porque é muito honesta e é giro ver a quantidade de crianças que fazem a comparação com os das cadeias de fast food. Todos dizem que os nossos são melhores.

Nós temos uma coisa que é muito boa e muito má que é um toalhete de papel e as pessoas quando querem dizer bem, escrevem, quando querem dizer mal vão para a internet.

Terminámos a refeição com chave de ouro quando a mesa se encheu de sobremesas: demos umas colheradas no suspiro com gelado de mascarpone, uma sobremesa muito equilibrada, mais fresca e com um sabor menos intenso. Em seguida, experimentámos o bolo de noz que é feito sem farinha e tem apenas nozes, ovos e açúcar. Para o fim ficou o melhor: o famoso Pudim das Clarissas que, nas palavras do chef Paulo, é só uma simbiose perfeita de ovos e açúcar. Nas nossas palavras, é só por si, razão suficiente para uma visita ao restaurante.

O Chef Paulo tirou o curso na Escola de Vidago, por onde também passaram o Luís Lavrador, o Fernando Heleno, o Hélio Loureiro. Trabalhou em hotelaria em Cascais, no Estoril e abriu um restaurante em Aveiro. Afastou-se destas lides durante 5 anos mas o Instituto de Emprego e Formação Profissional contactou-o para dar formação em hotelaria em Coimbra e em Arganil. E é assim que este chef transmontano se decide instalar em Coimbra.

Aqui na cidade, já fez muitas outras coisas: trabalhou em vários locais como o hotel D. Luís, na administração das Docas, na organização do catering da Académica, o Grande Hotel da Curia, e dedicou-se aos eventos, numa quinta perto de Almalaguês. Daqui até ao antigo Cordel foi um acaso: ao fim de alguns anos, a renda aumentou bastante e fui a uma imobiliária pedir um espaço que tivesse uma cozinha para preparar os pratos e levá-los meio preparados para os eventos. A luminosidade do espaço a possibilidade de ter espaço para fazer degustações para os noivos. O Cordel levantou vôo e instalou-se, uns anos depois, na sua casa actual, aos pés do Convento São Francisco.

Se a refeição foi exactamente o que descrevemos acima, o melhor foi termos gozado a companhia do chef Paulo e da mulher com quem pudemos conversar sobre comida e sobre a cidade durante um par de horas.

 

CORDEL MANEIRISTA
Rua Carlos Alberto Pinto de Abreu – Coimbra
Contactos: cordelmaneirista@gmail.com, 910 822 721
Horário de funcionamento: 3a a Dom das 12h às 15h e das 19h às 22h30 | Encerra à Seg.

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