COOLTURA

Flores, mercados, poesia, porcelana chinesa e (mesmo) muita música até Domingo

Há muita coisa a acontecer em Coimbra, para todos os gostos, e também sugerimos uma escapadela ao interessante festival Origens, em Oliveira do Hospital.

 

QUI | 16 MAI

 

CONCERTO 
21H | Convento São Francisco

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Ciclo_DesConcertos apresenta Sons de Resistência de Luís Bittencourt, um dos projectos mais arrojados do artista até a data. No mundo globalizado, conectado e tecnológico, afectado por diferentes problemas sociais e formas de opressão sentidas no contexto actual, as práticas de resistência questionam os princípios de ordenação e conservação da vida em sociedade. A música e arte possuem a capacidade de atingir lugares na mente humana em que a opressão não alcança. Isto fortalece a capacidade de resistir com a potência para atravessar instituições e organizações, de modo a contestar seus modos de funcionamento e colaborar com novas produções de significados. O concerto propõe a reflexão sobre a resistência necessária diante das fronteiras que segregam pessoas e culturas. Resistência à opressão das identidades padronizadas. Resistência às desigualdades e aos desafios do mundo contemporâneo através do fazer música com aquilo que se tem à mão: um instrumento musical requintado ou objectos vulgares como uma palete de madeira e sacos plásticos. Pretende-se resistir também aos ideais estéticos (e, por vezes, estáticos!) e dominantes que separam sons musicais de sons não-musicais, música e ruído, entre outras possibilidades. O bilhete custa 5€. 

CONCERTO 
22H | Salão Brazil

The Twist Connection regressam a casa depois de muitos quilómetros com concertos de Norte a Sul do país, e algumas incursões além-fronteiras. O segundo disco da banda foi considerado um dos melhores do ano 2018, pela Revista Blitz e Rádio SBSR, e esta será a primeira vez que atuam no Salão enquanto quarteto, com Raquel Ralha. Os The Twist Connection são Carlos “Kaló” Mendes, bateria e voz (Tédio Boys, Wray Gunn, bunnyranch, Parkinsons), Samuel Silva,guitarra (The Jack Shits), Sérgio Cardoso,baixo (É Mas Foice, Wray Gunn) e Raquel Ralha (Belle Chase Hotel, Wray Gunn). O bilhete custa 6€ aqui e nas lojas parceiras.

CONCERTO + POESIA
22H | Liquidâmbar

Sessão Imediata 3 – Beat Gene Raters é a mais recente criação do colectivo artístico Ato Imediato, que funde desta vez a música com a poesia. Celebrando por um lado a beat music e, por outro, o mítico legado dos poetas beatnick, como Jack Kerouac ou William Burroughs, Luís Figueiredo dá conta dos teclados, João Mortágua dos saxofones e João Cação assume o baixo da base sonora para a declamação de Alexandre Valinho Gigas, alguns da própria lavra criativa. A entrada é livre.

SEX | 17 MAI

 

FESTIVAL 
17, 18, 19 MAI | Travanca de Lagos (Oliveira do Hospital)

Se vos estiver a apetecer mudar de ares, sugerimos que vão espreitar o ORIGENS – Festival Cultural de Travanca de Lagos. É organizado pelos Jovens da Liga de Iniciativa e Melhoramentos de Travanca de Lagos como forma de cultivar o amor à terra, à identidade e à tradição da Beira. Tem um programa multi-artes que pretende agradar aos vários públicos-alvo e para este ano reserva algumas novidades, com destaque para o regresso ao coração da aldeia, junto à Igreja Matriz de Travanca de Lagos. Começa pelas 21h30 de sexta com a actuação de Luís Peixoto, músico residente de artistas como Dulce Pontes, Sebastião Antunes ou Ana Bacalhau que mistura de instrumentos tradicionais como o Cavaquinho ou a Sanfona com os contemporâneos sons da música electrónica. Sábado, à mesma hora, a peça O Meu Caso de José Régio, pelo Curso de Artes de Espetáculo/Interpretação da Eptoliva, e a actuação dos Pilha Galinhas com repertório de música tradicional portuguesa. No Domingo, pelas 15h, há Percurso Interpretativo do património de aldeia, uma viagem do século 17 ao 19, e a festa continua com jogos tradicionais e a actuação do grupo Melodias do Campo. Podem ainda ver durante todo o evento a exposição de fotografia Terra Inaudia de Ângelo Bártolo e Mariana Couto, resultado de uma residência artística a aldeia, e a Instalação Travanca de Lagos – Uma Cartografia Sonora, onde Luís Antero mostra as paisagens sonoras do quotidiano da terra que há 7 anos abre as portas para receber todos os que quiserem regressar às Origens.

CONCERTO
23h | Teatrão

Aeromoça é bossa, é samba, é uma viagem ao país irmão. Aprendeu a voar em Coimbra pela mão de Miguel Luís, aficionado pela cultura, história e música do Brasil. Bebendo das influências de nomes da Bossa Nova como António Carlos Jobim, João Gilberto e dos sambista Wilson das Neves (The Ipanemas) e Adoniram Barbosa, Aeromoça é um tributo à música brasileira. O projecto apresenta igualmente temas originais em português de Portugal, viaja entre cá e lá. Para além da voz, violão e cavaquinho brasileiro de Miguel Luís, o quarteto de Coimbra conta ainda com o flugelhorn de Cláudio Batista, o baixo de Miguel Duarte e com a bateria e percurssão de Flávio Martins. Entre os originais podemos ouvir Al-Gharb e Saudade, com a participação de Inês Graça. No concerto de sexta há a promessa de dois novos temas originais, um deles já com uma pequena amostra na página de Facebook do grupo. Mais informações através dos contactos do Teatrão: 239714013,  916265015, info@oteatrao.com e oteatrao.com. O preço é 5€.

ÓPERA
21h30 – Conservatório de Música de Coimbra

Concerto de abertura da VII Edição de Tenoríadas, pela Orquestra Clássica do Centro, com o cantor lírico Mário João Alves, presença assídua do Teatro Nacional de São Carlos e co-fundador do quinteto Vozes da Rádio, e o multi-premiado barítono Luís Rodrigues.

CONCERTO
21H30 | Teatro Académico de Gil Vicente

Os The Gift estão de regresso a Coimbra, desta vez com O Verão. Na descrição lê-se: Neste verão o preto e branco dá lugar ao azul escuro. Ao sépia. Ao calor visto desde dentro. Este Verão não é das praias e da pele salgada. Não é dos olhos que parecem ser verde esmeralda. Não é das paixões que acabam por carta. Não é das viagens com vidros abertos. Não é do mar. Não é o verão das cores vivas ao sol. Neste Verão corre apenas uma brisa. Uma suave brisa. Lá fora o calor abrasador. Cá dentro ecoa um piano. Uma voz. Mil sons que são trazidos pela brisa quente que move as cortinas finas. Brancas. Cá dentro os raios de sol entram nas brechas dos estores de madeira. Ouve-se ao fundo uma natureza a radiar de alegria. Um rio e as crianças ao final da tarde a brincar em repuxos que existem num jardim longínquo.  O bilhete custa 15€ e podem comprá-lo aqui.

  

SÁB | 18 MAI

MERCADO
10H – 18h30 | Baixa de Coimbra

A Festa da Flor e da Planta é uma celebração da Natureza fazendo sair flores, plantas e animação às principais artérias da Baixa da cidade com momentos de animação e mostras também de doçaria tradicional da região. A festa é uma montra de floristas, viveiristas, confrarias, grupos folclóricos e etnográficos, associações de âmbito cultural e recreativo e instituições de ensino vocacionadas para a agronomia, e procura sensibilizar a população para a prática de condutas amigas do ambiente que promovam a biodiversidade, num projecto que valoriza a beleza, o valor ornamental, espiritual, odorífico, medicinal, artístico e económico que as flores e as plantas têm. A entrada é livre.

FEIRA
8h – 14h | Praça de Cabo Verde

Mais uma edição do Há Tralhas na Praça, no Bairro Norton de Matos, com objetos em segunda, terceira ou outras mãos e a tónica no convívio e entre-ajuda.

EXPOSIÇÃO
15H | Mosteiro de Santa Clara-a-Velha

Inauguração de Memórias da China Imperial em Santa Clara de Coimbra, com a colecção de porcelana chinesa do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. Sabem quais são os animais mais auspiciosos segundo a mitologia chinesa? E que nos motivos decorativos da porcelana chinesa distinguem-se símbolos de boa sorte, entre os quais um par de cornos de rinoceronte ou uma folha de artemísia? A entrada é livre. 

CONCERTO 
22H | Salão Brazil 

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Benjamim, com António Vasconcelos Dias. O escritor de canções que passou 4 anos radicado em Londres e voltou para Portugal em 2013 para compor Auto Rádio. Ainda antes do lançamento em Setembro de 2015, Benjamim percorreu o país de norte a sul para apresentar as músicas numa digressão de 33 datas seguidas ao volante da sua Volkswagen. Auto Rádio foi considerado melhor álbum do ano em vários meios de comunicação social e o músico editou no final de 2017 o disco 1986. Fruto de uma parceria com o britânico Barnaby Keen, trata-se de um exercício de reciprocidade e partilha em 8 canções intercaladas, separadas pela língua e unidas pelo contexto. Dança com os Tubarões, Terra Firme e Madrugada mereceram grande destaque nas rádios nacionais. Depois do tema Zero a Zero, escrito para Joana Espadinha no contexto do RTP – Festival da Canção, Benjamim assinou também o ano passado a produção do disco da mesma artista, O Material Tem Sempre Razão, e ainda do trabalho Cidade Fantástica, de Flak. Benjamim regressa a Coimbra na companhia de António Vasconcelos Dias e juntos vão interpretar temas dos dois álbuns de originais e alguns inéditos ao piano e à guitarra. Os bilhetes custam 10€ aqui e nas lojas parceiras.

CONCERTO
21H30 | Convento São Francisco

Beat Hotel com André Gago & Beat Hotel Band faz parte do ciclo Somos Livres e é a poesia da Beat Generation em concerto, com André Gago na voz e flauta, André Sousa Machado na bateria, Edgar Caramelo no saxofone, Fausto Ferreira nas teclas, vídeo de Pedro Blanc e Tiago Inuit na guitarra e baixo. A Beat Generation é o nome pelo qual ficou conhecida uma geração de poetas que emergiu na cena literária norte-americana no pós-guerra, em meados da década de 50. Com uma poesia livre do cânone, próxima do coloquial e do dia-a-dia, os beat chocaram a América pela ruptura que representavam em relação ao artificialismo do american way of life. Com um famoso processo em tribunal por acusação de obscenidade, o poema Uivo, de Allen Ginsberg, ajudou a projectar este grupo para a ribalta. A descrição da vida torturada dos jovens desta geração, o gosto pela aventura e pela vagamundagem, as experiências com drogas e as críticas ao academismo e à voragem da auto-destruição tecnológica — num mundo sob a ameaça do conflito nuclear, depois de a bomba ser utilizada pela primeira vez em Hiroshima e Nagasaki —, são elementos vitais desta gesta poética que abriu caminho para as gerações seguintes e que, mesmo que disso não nos apercebamos de forma consciente, mudou as nossas vidas. Os bilhetes custam 8€ (com descontos).

CONCERTO
22H | Liquidâmbar

Unidos pela vontade de criar novos caminhos e texturas improvisacionais, Face Melter apresentam-se como um grupo enérgico, imprevisível e divertido. Bebendo influências que passam pelo jazz, o rock e o noise, e inspirados por nomes como Death Grips e Ty Segall, o grupo promete um concerto cativante e que convida à interação entre o público e os músicos, flutuando entre composições originais e improvisações espontâneas. Eles são Filipe Fidalgo (saxofones e eletrónica), André Gandarez (guitarra), Eduardo Santiago (baixo elétrico) e Luís Sousa (bateria).

 

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