Não tem palmeiras mas vale a pena descobrir esta ilha no coração de Coimbra

O nome deve-se provavelmente ao facto de no início, junto ao Largo da Sé Velha, a Rua da Ilha ser formada por um bloco de casas. Limitado ao nascente por essa rua, ao sul e poente pelo Beco da Carqueja e ao norte pelo Largo da Sé Velha, bloco esse, maciço e sem outras fendas que não sejam as aberturas para acesso e entrada de luz e ar nos respectivos prédios, escreveu José Pinto Loureiro na monografia Toponímia de Coimbra (Ed. Coimbra Câmara Municipal, 1960). Se não é cercado por água de todos os lados para constituir verdadeira ilha, é cercado de ruas por todos os lados dando margem a que, na gíria local, se lhe pudesse chamar ilha, continua a descrição.

Se partirmos do Largo da Sé Velha, a Rua da Ilha vai até ao topo norte da Rua Dr. Guilherme Moreira. Mas nem sempre foi assim. Inicialmente não chegaria ao Largo mas, a construção do edifício pombalino da Imprensa da Universidade de Coimbra e da casa de residência do respectivo director, terão levado a abrir uma nova comunicação que ligasse a rua ao Largo - a pé e de carro. Daí a complicação que é passar lá de automóvel. Chegou a haver na rua um quartel general de divisão militar e a secular sociedade Instituto de Coimbra, uma academia científica, literária e artística, que mais tarde albergou o Conservatório de Música de Coimbra.

Actualmente moram na Rua da Ilha instituições como as Criaditas dos Pobres e o Colégio de Santa Rita ou Palácio dos Grilos, onde funcionam serviços administrativos da universidade, que já foi sede da Associação Académica de Coimbra, Governo Civil e uma república. Originalmente foi casa de eremitas descalços de St.º Agostinho, mais conhecidos como grilos, daí o nome, e as curiosidades no que toca à toponímia não se ficam por aí. Há os não menos caricatos Palácios Confusos cujo nome se deve ao traçado irregular da zona - já a parte dos palácios é ironia.

Também se pode chegar à Rua da Ilha entrando pela Rua José Falcão, sempre paredes meias com a universidade, e onde vale a pena espreitar a nova cara do Largo Augusto Hilário, da Travessa da Trindade e Beco da Pedreira. Relembramos também a recentemente fundada Casa-Museu Elysio de Moura, de que falámos aqui. Hoje, todas estas vias pertencem à zona histórica e classificada como Património Mundial da UNESCO. Oficialmente o acesso e estacionamento automóvel é condicionado, autorizado a veículos de residentes, municipais, de emergência, polícia e manutenção de infraestruturas públicas, apesar de infelizmente isso raramente ser respeitado.

Texto e fotos: Filipa Queiroz

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