COIMBRA OUT LOUD

Paulo Sousa: “Lembro-me de estar ao lado do rádio com um papel a escrever as letras das músicas”

DSC_8065.jpg
.

.

Sempre foi popular, o verdadeiro menino bonito. Quando era pequeno a minha mãe puxava muito por mim, com 2 anos já escrevia o meu nome à máquina. Paulo Sousa nasceu em Viseu, mas cresceu em muitos lugares. Lembro-me de brincar no Parque Verde, nos baloiços, mas não tenho grandes memórias de Coimbra porque só os meus avós é que moravam cá, os meus pais eram professores por isso mudei várias vezes de escola. Entre os teatrinhos para a família e as aulas de órgão – a que ia quase obrigado -, entrou para a primária com 5 anos e sempre se sentiu melhor entre os mais novos. Depois veio a filarmónica, o clarinete, o trompete, a guitarra, novos elementos que se divertia a ensinar, e a infância sem pressa de passar. Uma vez, no secundário, a professora de Português disse-me que eu ia ser uma pessoa muito feliz por ainda ser muito criança, porque ainda brincava aos espiões e essas coisas. Era uma espécie de Peter Pan, só que em vez da Terra do Nunca morava em Miranda do Corvo. A primeira vez que pegou num microfone foi num casamento. A minha mãe diz que estava uma banda a tocar, eu todo enternecido a olhar e a acompanhar, e eles perceberam que eu era afinado. Convidaram-no para ir para o palco e ele disse que não, só que a mãe disse que sim. Vai vai vai! E ele foi. Lembro-me que ouvia muito Rui Veloso, mas não se tinha acesso à Internet tão facilmente, por isso lembro-me de estar ao lado do rádio com um papel a escrever as letras das músicas para cantar com ele. Tinham de passar muitas vezes. Mas depois vira o milénio, toda a gente usa a Internet, e acontece um fenómeno chamado Youtube que lhe traz Mia Rose e Ana Free. Na altura estavam no Reino Unido, tinham imenso sucesso e eu tive curiosidade de saber como era publicar qualquer coisa e ter feedback imediato. Foi nessa altura que Paulo gravou o primeiro vídeo sozinho, a cantar Can You Feel The Love Tonight. Tive 100 visualizações e achei que era, tipo, brutal: Eh pá, 100 visualizações num dia, onde é que isto vai parar? Mais ou menos o mesmo que pensava Justin Bieber do outro lado do globo. Em Portugal, Paulo foi sendo descoberto mas manteve sempre um olho no palco e outro nos livros. Os meus pais sempre me disseram que tinha de ter um curso porque se a música não desse certo tinha uma alternativa. Além disso, gostava tanto da escola que não só foi bom aluno como cursou Educação. Digo à boca cheia que, na universidade, acabei o estágio com média 19 porque trabalhei muito mesmo, e gosto de ensinar, adoro miúdos. Mas a música falou mais alto. Começou a sério enquanto estudava, depois de participar em concursos como o Factor X e o Ídolos. De 4ª a Domingo vivia num hotel, em Lisboa. Adeus covers, olá temas originais e em português, conversas e desafios no canal pessoal no Youtube. Sempre adorei jogos! E é para as pessoas conhecerem o outro Paulo, que não só o cantor. Geralmente, muito bem acompanhado. Sempre me dei muito bem com raparigas, mas também tenho lá rapazes e dou-me com imensos youtubers. A música é romântica porque o amor está sempre na moda. Hoje e daqui a 50 anos, as letras e mensagens não têm prazo de validade por isso mais vale fazer uma coisa que é eterna. Ed Sheeran, Sam Smith, Jessie J, Beyoncé, Michael Bublé. Ouço música muito comercial e pop no dia-a-dia. Mas, se pudesse convidar alguém para fazer um dueto, era o Diogo Piçarra. Acho que agora é uma boa altura para a música portuguesa, está a fazer-se música com mais qualidade. Paulo Sousa deixou-se ficar a viver em Coimbra, sobretudo pelo conforto. Em Lisboa as pessoas demoram horas para chegar ao trabalho, no outro dia fizemos 2 quilómetros em 28 minutos, estás a imaginar? E se estivesse a ficar sem bateria no telemóvel, o que é que fazia? A brincar, a brincar, a coisa é séria. São 180 mil que o seguem no Instagram. Mais de 240 mil subscritores no canal do Youtube. Noto que, quando os fãs estão comigo, conhecem as piadas, sabem o que gosto, o que ouço, e, se tiverem os mesmos gostos, há uma empatia diferente e gosto disso. Envelhecer é que não, obrigado. Faz impressão, fico um bocadinho ansioso, lembro-me de ter 20 anos e pensar que alguém com 27 já estava em fase terminal, agora que cá estou não acho que seja nada assim, mas sou um bocado viciado em cuidar-me, até porque a imagem na minha profissão é muito importante. Fora do Youtube e da música não lhe sobra muito tempo, quando sobra é para estar em casa, mas há que trabalhar agora que tenho energia. O primeiro disco, Teu, chegou ao 1.º lugar no top de vendas nacional. Quem sabe um dia canta no Teatro Académico de Gil Vicente, tem boas memórias lá. Entretanto mais colaborações, mais singles, e umas nuances diferentes, para não estar só assim que parece que vou cortar os pulsos. Se agora tivesse de largar a música e voltar a ser professor ia ser complicado. Acho que tinha uma depressão. E, quando lhe perguntam, também não diz que é youtuber. Digo primeiro que sou cantor e depois youtuber porque, como em todas as profissões, e em todo o lado, há de tudo, no Youtube também. Os pais apoiam, a irmã Paula segue as pisadas, e o músico sorri. E que sorriso. Divirto-me imenso e adoro! Até ao Fim do Mundo, com pós de perlimpimpim.

.

.

DSC_8092

© Coimbra Out Loud
Fotografia: João Azevedo
Texto: Filipa Queiroz

 

 

 

 

 

 

 

 

Comenta este artigo

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.