Ho Ho Ho! O Natal não é só para cristãos

Inês Teixeira2014-05-04 14_1_Fotor-1
Antropóloga e Ambientalista
ines.af@gmail.com

 

 

Primeiro, vamos lá contextualizar esta época mágica que dá brilho e põe as ruas de Coimbra a cantar. Muitos de vocês deverão saber, mas alguns talvez não, que o dia em que Jesus nasceu não terá sido exactamente o 25 de Dezembro. Então por que é que o Natal é nesse dia? A resposta é: Cristianização de festividades enraizadas num colectivo pagão.

Passo a explicar. Dia 21/22 de Dezembro (varia com o ano) ocorre o Solstício de Inverno, ou seja, é a altura do ano em que o Sol atinge a maior distância angular em relação ao plano que passa pela linha do equador, originando a maior noite e o menor dia do ano. Se estiverem atentos ao nascer do Sol, vão perceber que será o dia em que nasce mais a Oeste. Nos 3 dias seguintes, nasce exactamente no mesmo ponto (Sol + sístere – parado) para a seguir inverter o sentido aparente, em direcção a Este. O dia 21/22 de Dezembro era importantíssimo para o povo pagão, que acreditava que era o início da vitória da Luz (Dia) sobre a escuridão (Noite). O Cristianismo pegou na força simbólica da festividade e traduziu-a para o nosso Natal, que passou a simbolizar o nascimento de Cristo, que, tal como o Sol, ressuscitou ao 3º dia e trouxe a Luz.

A árvore é uma das mais populares tradições associadas ao Natal, vem do costume das civilizações antigas (antes de Cristo) que consideravam as árvores um símbolo divino e da aliança entre os céus e a mãe terra. Nas vésperas do solstício de inverno, os povos pagãos cortavam pinheiros, levavam-nos para os lares e enfeitavam-nos. No século 8, São Bonifácio tentou acabar com a crença, mas como não conseguiu associou o formato triangular do pinheiro à Santíssima Trindade e as folhas resistentes e perenes à eternidade de Jesus. 

Voltando aos nossos dias, outra parte bastante importante desta época, e que resultou no amigo secreto de São Nicolau, são os presentes. São Nicolau foi um bispo do século 4 que, entre vários atributos que fizeram dele santo, era conhecido por gostar muito de crianças, ser generoso e dar-lhes prendas. Prendas que também estão associadas à visita dos Reis Magos ao Menino Jesus em Belém – em certos países, como a Espanha, só se distribuem os presentes de Natal no Dia de Reis, 6 de Janeiro. Mas sabiam que em terminologia alquímica os três Reis Magos (que eram magos porque percebiam de astronomia e astrologia) representam as três etapas de preparação do mercúrio filosofal que resulta no nascimento do Rei Sol (ou seja de Cristo)? O nome dessas etapas significa vermelho, preto e branco, e a Estrela de Belém o factor que conduz a progressão dessas etapas, e sem a qual nunca seria realizada a peregrinação espiritual desde o Oriente até Jerusalém.

Posto tudo isto, sabemos que parte da magia de receber e dar prendas é o embrulho bonito, que aumenta a curiosidade e embeleza o tronco da árvore de Natal, mas já pensaram no quanto a Natureza tem de trabalhar e sofrer para que possamos embrulhar o dia mais comercial do ano? São toneladas de papel de embrulho desperdiçado. Felizmente a criatividade não tem limites e com material que temos em casa podemos fazer embrulhos tão ou mais bonitos e até reutilizáveis. Querem ver? Ficam algumas sugestões para encher os olhos de quem as recebe e darem asas à vossa criatividade. 

Este slideshow necessita de JavaScript.

Que os vossos dotes sejam melhores do que os nossos e acima de tudo que a inspiração vos brinde com bons momentos de embrulhos!

Deixa-nos a tua opinião!

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.