Ho Ho Ho! O Natal não é só para cristãos

Primeiro, vamos lá contextualizar esta época mágica que dá brilho e põe as ruas de Coimbra a cantar. Muitos saberão, mas alguns talvez não, que o dia em que Jesus 

nasceu não terá sido exactamente 25 de Dezembro. Por que é que o Natal é nesse dia? Resposta: cristianização de festividades enraizadas num colectivo pagão.

25 de Dezembro

Dia 21/22 de Dezembro (variável) ocorre o Solstício de Inverno, ou seja, é a altura do ano em que o Sol atinge a maior distância angular em relação ao plano que passa pela linha do equador, originando a maior noite e o menor dia do ano. Se estiverem atentos ao nascer do Sol, vão perceber que será o dia em que nasce mais a Oeste. Nos 3 dias seguintes, nasce exactamente no mesmo ponto (Sol + sístere – parado) para a seguir inverter o sentido aparente, em direcção a Este. O dia 21/22 de Dezembro era importantíssimo para o povo pagão, que acreditava que era o início da vitória da Luz (Dia) sobre a escuridão (Noite). O Cristianismo pegou na força simbólica da festividade e traduziu-a para o nosso Natal, que passou a simbolizar o nascimento de Cristo, que, tal como o Sol, ressuscitou ao 3º dia e trouxe a Luz. A árvore é uma das mais populares tradições associadas ao Natal, vem do costume das civilizações antigas (antes de Cristo) que consideravam as árvores um símbolo divino e da aliança entre os céus e a mãe terra. Nas vésperas do solstício de inverno, os povos pagãos cortavam pinheiros, levavam-nos para os lares e enfeitavam-nos. No século VIII, São Bonifácio tentou acabar com a crença, mas como não conseguiu associou o formato triangular do pinheiro à Santíssima Trindade e as folhas resistentes e perenes à eternidade de Jesus. 

Presentes

Voltando aos nossos dias, outra parte bastante importante desta época, e que resultou no amigo secreto de São Nicolau, são os presentes. São Nicolau foi um bispo do século IV que, entre vários atributos que fizeram dele santo, era conhecido por gostar muito de crianças, ser generoso e dar-lhes prendas. Prendas que também estão associadas à visita dos Reis Magos ao Menino Jesus em Belém - em certos países, como a Espanha, só se distribuem os presentes de Natal no Dia de Reis, 6 de Janeiro. Mas sabiam que em terminologia alquímica os três Reis Magos (que eram magos porque percebiam de astronomia e astrologia) representam as três etapas de preparação do mercúrio filosofal que resulta no nascimento do Rei Sol (ou seja de Cristo)? O nome dessas etapas significa vermelho, preto e branco, e a Estrela de Belém o factor que conduz a progressão dessas etapas, e sem a qual nunca seria realizada a peregrinação espiritual desde o Oriente até Jerusalém.

 

Sugestão

Posto tudo isto, sabemos que parte da magia de receber e dar prendas é o embrulho bonito, que aumenta a curiosidade e embeleza o tronco da árvore de Natal, mas já pensaram no quanto a Natureza tem de trabalhar e sofrer para que possamos embrulhar o dia mais comercial do ano? São toneladas de papel de embrulho desperdiçado. Felizmente a criatividade não tem limites e com material que temos em casa podemos fazer embrulhos tão ou mais bonitos e até reutilizáveis. Querem ver? Ficam algumas sugestões para encher os olhos de quem as recebe e darem asas à vossa criatividade. Que os vossos dotes sejam melhores do que os nossos e acima de tudo que a inspiração vos brinde com bons momentos de embrulhos!

 Texto e fotos: Inês Teixeira 
+ Unsplash

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