M de Mãe e P de Pai

Lara LimaLara Lima
Directora BmQ, Terapeuta e Coach
lara@bmqbylaralima.com

 

 

A poucos dias do final do ano é tempo de balanço e de fechar assuntos pelo que o tema me parece perfeito, afinal para cada M de Mãe existe um P de Pai, esteja ele associado ou não à mesma morada. Ser Pai não deve ser tarefa fácil. Reflicto muitas vezes sobre este tema com grávidas com quem trabalho, e confronto-as com alguns desafios que para as Mães são tão desconhecidos como para os Pais a sensação de receber um pontapé de dentro para fora. Vejamos alguns P de Pais que passam despercebidos mas que fazem olhar com outros olhos, e talvez um pouco mais de compreensão, para o P de Pai.

P DE PAI E DE PREMATURO 

Esta é a primeira situação com que um Pai se depara. Ainda mal nasceu como Pai e já é esperado que se comporte como um a sério (se é que existem Pais a brincar). Para as Mães é fácil perceber que a vida vai mudar desde o momento em que um par de células se permite multiplicar naquele que até então foi um ventre unipessoal, mas será assim para os Pais? Seguramente que não. Um Pai é chamado de Pai sem que para ele nada mude além dos tracinhos no teste de gravidez e a bomba hormonal em que se tornou a companheira. Não deve ser fácil ser o que ainda não se é. E reagir a comentários como: Então, que tal a nova vida de Pai?, Tu não sentes nada? ou Como é possível não estares sempre a pensar nele?

P DE PAI E DE PARTEIRO  

É um assunto delicado, principalmente para mim que como doula Ayurveda. Questiono-me sobre por que é que a sociedade espera que o Pai tenha consciência do que fazer para ajudar no trabalho de parto? E por que é que a sociedade médica espera que o Pai não ajude em nada? Numa sociedade em que o papel do Pai é reivindicado como um direito, e exigência materna, é urgente criar mais cursos de Preparação para o Parto para os Pais – eu só conheço o Super Pais, do www.bmqbylaralima.com. É preciso que mais Pais também queiram frequentar os cursos e entenderem o papel decisivo que podem ter na concretização de um parto suave. Estar ao lado da Mãe é mais do que dar a mão, dizer para respirar ou marcar presença.

P DE PAI E DE PURGATÓRIO 

Se o Purgatório é um lugar entre o Céu e o Inferno, acredito que esse é o lugar onde a maior parte dos Pais se encontra naquelas horas marcadas pelo relógio da sala de parto. Um lugar onde sentem a intemporalidade do Inferno, ao verem as suas amadas a sofrerem para trazerem o bebé ao Mundo, e ao mesmo tempo aguardarem pelo Céu, aquele momento prometido em que ouvem: Parabéns, aqui está o seu bebé, perfeito e saudável! Às vezes faço o exercício de me imaginar como espectadora dos meus partos, sem poder fazer nada a não ser esperar que a coisa se dê. Horas infindáveis em que tenho de estar acordada, a apoiar, sem fazer ideia de como se sente o eu que está ali a sentir aquelas dores incríveis.

P DE PAI E DE:

  • PERSEVERANÇA, porque mantém o seu amor de forma inabalável apesar de, aparentemente, a Mãe ser a solução para todos os lamentos e dores;
  • PRESCINDIR, porque o Pai prescinde de protagonismo mesmo quando também ele sofreu durante horas na expectativa da Mãe e filho estarem bem depois de horas de esforço;
  • PARADIGMA, quando naqueles minutos após o nascimento tem de decidir se fica com a Mãe ou acompanha o bebé quando vai ser avaliado pelo pediatra;
  • PRENDADO, porque tem de aprender a dar banho, mudar a fralda e dar a papa mesmo nunca tendo treinado para isso na infância;
  • PRECONCEITO, quando decide ficar em casa em vez de ir trabalhar para tomar conta do filho;
  • PRESCINDÍVEL, por ser Imprescindível;
  • PROTAGONISTA, Pai só há um;
  • PRETERIDO muitas vezes às Avós para tomar conta do pequeno apesar de, como a Mãe, ninguém ser capaz de o fazer melhor;

 

P de Pai e de Parabéns a todos os que assumem o Papel de Pai que é um papel fundamental e de apoio incondicional à Mãe, mesmo antes de o bebé nascer. Parabéns às Mães que incentivam e treinam os Pais desde o primeiro dia porque, como em qualquer parceria, também Pai e Mãe têm papéis e acordos que devem ser definidos antes e redefinidos a cada momento de forma a permitirem que os envolvidos brilhem diante da criança a quem chamam de Filho/a.

 

 

 

 

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