COMES & BEBES

No São Martinho vai à adega e prova o vinho!

Inês Teixeira2014-05-04 14_1_Fotor-1
Antropóloga e Ambientalista
ines.af@gmail.com

 

 

Diz a lenda que num dia frio e chuvoso, Martinho de Tours encontrou um mendigo com frio e com a espada cortou o próprio manto e deu-lhe metade. Nesse momento de humildade e compaixão, as nuvens ter-se-ão dissipado no céu e o Sol voltado a aquecer, daí o famoso Verão de São Martinho. Na noite seguinte o cavaleiro terá sonhado que Jesus usava o mesmo manto que ele tinha dado ao mendigo e lhe agradecia o facto de o ter aquecido, e isso bastou para que deixasse de ser militar e resolvesse dedicar-se ao cristianismo.

Voltando um bocadinho atrás, Martinho não era português, nasceu em 316 d.C. na actual Hungria e no seio de uma família pagã, mas era ainda criança quando descobriu que o cristianismo seria o seu caminho. Aos 10 anos entrou para o grupo dos catecúmenos em preparação para o baptismo, e apesar de ter passado (contra a vontade) pelo exército romano acabou por ser baptizado. Terá sido nessa altura que aconteceu o episódio que contámos, e depois disso Martinho, além de converter a própria mãe, terá sido um dos maiores responsáveis pela diminuição da chama do paganismo e difusão da religião na Gália. Na região do Loire fundou mosteiros, igrejas rurais, escolas e tornou-se um grande pregador, atendendo ricos e pobres atraídos pelos seus milagres. Chegou a tornar-se bispo e foi o primeiro Santo não mártir.

O dia de S. Martinho, 11 de Novembro, corresponde ao dia em que aquele que se tornou um dos Santos mais populares da Europa medieval foi sepultado, em 397. O cemitério de Tours passou a ser local de peregrinação e novamente o Verão de S. Martinho ganha aqui expressão, porque se acredita que quando o corpo estava a ser transportado para a morada eterna ter-se-ão avivado árvores, florido as plantas e as aves começado a cantar entre os locais de morte e enterramento. Padroeiro dos alfaiates, peleteiros, curtidores, soldados, restauradores, produtores de vinho e mendigos, S. Martinho é uma data de celebração no calendário mas com variações entre países. Como fica perto da data do culto dos antepassados e início do usufruto das colheitas, em Portugal a tradição passa pela festa do vinho novo ou água-pé.

Então e as castanhas? Pois, essas terão tido origem no dia dos mortos, como oferenda aos antepassados, no entanto dada a proximidade de datas foram absorvidas pelo S. Martinho. E ainda bem, porque castanhas assadas com um copinho de jeropiga é um pitéu digno de um dia santo. Que o Verão de S. Martinho não desiluda e passem todos um bom Dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho!

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