COIMBRA OUT LOUD

Kaló: “Passei períodos de ouvir música de merda que não interessava ao menino Jesus”

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Nasceu Carlos Mendes, em Coimbra. Nunca teve essa coisa do “os meus pais deixaram-me um grande legado de discos”. Zero. Não os leva a mal por isso, mas ainda hoje nem sabem onde toca. Acha que já sabem que não são os Tédio Boys, porque acabaram há 20 anos, e que é outra coisa qualquer que não conseguem pronunciar. Descobriu a música, mais concretamente o rock’n’roll, entre os 14 e os 15 anos, com a banda que o fez querer tocar numa banda e o baterista que o fez querer ser baterista: The Cramps. O Nick Knox era aquele tipo de gajo que tocava de uma forma extremamente simples, uma batida muito peculiar, muito cool, e os Cramps são um portal para outras dimensões. Também divagou. Passei períodos de ouvir música de merda que não interessava ao menino Jesus mas, enfim, são idades, suponho que fazem parte de alguma forma de progresso. Os primeiros videoclipes rock’n’roll viu no Café Abismo, em Coimbra. Depois conheceu pessoas que emprestavam coisas. Não gosta de ser aquele que diz que no tempo dele é que era, mas assegura que as coisas eram tão difíceis de arranjar que eram amadas de outra forma. Ouviam-se discos. Ouviam-se mesmo discos. Viam-se vídeos até a cassete partir. Cassetes até a fita rasgar. 1992, 16 anos e a primeira banda, os Garbage Catz. Pouco tempo depois toca o telefone e eram os Tédio Boys a convidarem-no para uma audição. Foi, ficou, e, para ele, o mundo nunca mais foi a mesma coisa. Concertos, digressões nos Estados Unidos, living the life. Só os estudos ficaram para trás porque de resto a marcha era a quinta e sempre em frente atrás do sonho, com muito rock. Tiguana Bibles, Wraygun, The Parkinsons, Bunnyranch. Gosto do que faço e é viciante. Voltou a pegar nos livros e formou-se em Filosofia. Faz questão de ir a muitos concertos e de não ir a alguns. Às vezes até aponto mentalmente: que dia excelente para não sair de casa e ir ver esta banda absolutamente merdosa. Kaló é vocalista e baterista dos Twist Connection, aspirante a professor de Filosofia, e garante que gajos do antigamente como o Iggy Pop hoje são melhores do que os gajos de agora. Percebes?

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© Coimbra Out Loud
Fotografia: João Azevedo
Texto: Filipa Queiroz

One comment

  1. ……o kaló foi baterista dos 77 revolution rock de 1996 a 2000 tendo sido editado cd nos usa e respectiva digressao etc etc

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