Halloween ou Bolinhos e Bolinhós?

Não tem de ser nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Os Bolinhos e Bolinhós não são tão aborrecidos e antiquados como podem parecer e o Halloween não é americano, muito pelo contrário. Querem ver? 

É aquela altura do ano em que a cidade se divide entre mães que correm a cidade à procura de máscaras e manifestos contra a invenção dos americanos, mas não é bem assim.

História

Há 2000 anos, os celtas celebravam o ano novo nesta altura com cerimónias lideradas pelos druidas - como o Panoramix, dos livros do Astérix. Faziam de uma espécie de médiums entre as pessoas e os antepassados que eles acreditavam que voltavam para fazer uma visita e usavam o fogo, em velas e fogueiras, para os afastar. Mais tarde, a celebração, como tantas outras, foi aproveitada pela religião cristã. No século XV e XVI, por causa da Peste Negra, terão aparecido as máscaras. A doença matou tanta gente que em França terão começado a fazer festas burlescas com decorações relacionadas com o tema da morte. Na Idade Média o souling (soul significa alma em inglês), que é o nosso Pão por Deus, terá aparecido no Reino Unido. Era o ritual de crianças e pobres fazerem um peditório pelo bolo das almas, porta a porta, em troca de orações pelos familiares falecidos de quem lhes dava bolo. Caso não dessem, os miúdos ameaçavam fazer uma travessura (trick or treat, doce ou travessura). Do século XVIII em diante as tradições de colonos ingleses encontraram-se com as de imigrantes irlandeses na América et voilà: nasceu o Halloween. Hallow quer dizer santo e All Hallows' Eve quer dizer véspera do Dia de Todos-os-Santos.

Actualidade

Em algumas localidade da região Centro de Portugal, como Coimbra, o Pão por Deus também é conhecido como Bolinhos e Bolinhós. Até há relativamente pouco tempo, na véspera do 1 de Novembro, os miúdos costumavam sair à rua em pequenos bandos para pedir guloseimas ou dinheiro. Que tal mostrarem às crianças e jovens de hoje que o Dia das Bruxas também é um bocadinho nosso? Se quiserem experimentar, peguem nos miúdos, agarrem numa caixa de sapatos ou numa abóbora, tirem-lhe o recheio - que podem aproveitar para fazer doce ou sopa -, desenhem uma carantonha e metam uma vela lá dentro. Depois juntem-se a outros amigos e comecem a tocar à porta dos vizinhos.

Quando atenderem, cantem:

Bolinhos e bolinhós 
Para ti e para vós
Para dar aos finados 
Que estão mortos enterrados, 
À porta bela cruz,
Truz! Truz!
A senhora que está lá dentro
Sentada num banquinho
Faça favor de vir cá fora
P'ra nos dar um tostãozinho ou um bolinho

Depois há uma segunda parte do cântico. Se as pessoas derem doces, cantam:

Esta casa cheira a broa, 
Aqui mora gente boa. 
Esta casa cheira a vinho
Aqui mora um santinho. 

Mas se não derem...

Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto. 

Texto: Filipa Queiroz 
Fotos: Oldphotoarquive.com, Unsplash

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