M de Mãe versus E de Escola

Lara LimaLara Lima
Directora BmQ, Terapeuta e Coach
lara@bmqbylaralima.com

 

 

S de Setembro, de Stress, de Sempre e de Suspense. Setembro é um mês camaleão. Quando somos pequenos é o mês desejado porque queremos ir para a escola, queremos rever os amigos, queremos novos desafios, queremos estrear a mochila nova, os lápis, o estojo e a roupa. Na Universidade, Setembro é o mês que renova a carta de alforria, é o regresso às rotinas desassossegadas e ao brincar de casinhas, é ser caloiro e receber caloiros. Quando somos jovens adultos, Setembro é apenas o mês de regresso das férias, mas na verdade é um mês em que nos sentimos de férias porque está toda a gente a stressar menos nós e ainda nada funciona direito. Quando somos Mães, o Setembro muda para Sempre. Setembro passa a ser o mês dos Beatles:

(Help!) I need somebody
(Help!) Not just anybody
(Help!) You know I need someone
(Help!)

Escola era um bom nome para uma tempestade, porque podemos prever quando embate mas jamais calcular de forma certa a intensidade. O E de Escola é, claramente, o E de Experiência, principalmente no Mundo da Maternidade. Neste Mundo, o E separa de forma clara e objectiva as Mães experientes que já conhecem as Donas Paulas da Escola dos filhos, já trocam sorrisos cúmplices com as professoras, acenam ao director do agrupamento e sabem que a dona Maria da tipografia só tem as cadernetas de aluno (?!) lá para o fim da semana. As Mães de primeira viagem, que não sabem que a sala B é (obviamente) a sala no segundo piso, e que a Professora Fernanda não existe (porque obviamente que ali ninguém a conhece por Fernanda mas por Nina).

Eu claramente pertenço ao “e” pequeno. Pequeno em experiência, porque ainda parece que entrei numa máquina de lavar no momento da centrifugação – aquele momento em que parece que o programa está quase a terminar só que…não. Esse é o motivo pelo qual me atrasei 15 dias a entregar este texto. Porque como Mãe de primeira viagem, o mês de Setembro é tão Stressante quanto Surpreendente na questão da gestão temporal. E as Mães com mais experiência são cientistas quânticas formidáveis que todas ansiamos vir a ser. Verdadeiras Super-mulheres, que conseguem gerir um horário de entrada completamente surreal e incompatível com o delas, e fazê-lo não uma mas duas ou até três vezes – e ainda há as Mega-Super-Mães que conseguem arranjar forma de o fazer à hora do almoço. Uma mega salva de palmas de pé e uma vénia para estes Super Seres.

As Mães conseguem ainda, não só planear o jantar de toda uma semana como os lanches e, pasmem-se, coordená-los com as necessidades metabólicas do dia (hoje leva banana porque tem ballet ao final do dia, amanhã é dia de uvas porque vai estar calor e precisa de mais líquidos, ontem tive de mandar um pão com marmelada porque é dia de educação física). Também há o gerir roupas de acordo com o tempo, a disposição e as diferentes actividades pós-escola (o saco do ballet, o saco da ginástica, o saco do inglês).

É oficial: existe entre o M de Mãe e o E de Escola uma luta de titãs em que a Experiência determina o vencedor. A minha questão é: quantos Ms de Mãe são necessários para ganhar experiência? E quando é que se leva a taça? É que quando acho que finalmente já cumpri todos os requisitos:

  • Camas feitas, cozinha arrumada – OK
  • Deixar tudo orientado para o jantar caso ele se queira ir adiantando – OK
  • Levar os miúdos a horas, limpos, alimentados e sem falta de material – OK
  • Enviar os lanches de acordo com as necessidades metabólicas, gostos pessoais, gostos dos amigos – OK
  • Chegar a horas ao trabalho, vestida, calçada, sem nódoas na roupa e com meias do mesmo par, penteada, com um sorriso e sem nenhum filho esquecido no banco de trás – OK
  • Chegar a horas à escola para os ir apanhar sem ter de sair mais cedo do trabalho apesar do trânsito- OK
  • Chegar a horas para as actividade extra escolares do outro lado da cidade, ok
  • Compras de supermercado feitas em 40 minutos enquanto os putos estão nas actividades- OK

E assim, quando finalmente parece que está tudo, e finalmente posso levantar a taça de campeã, cozer o S de Super Mãe ou Super Mulher na minha carteira, pendurá-lo no porta-chaves ou adicioná-lo à minha Pandora, conheço a Sandra. A Sandra não só é Mãe de 3 e consegue fazer isto ao Cubo, como tem 2 empregos, 2 dias por semana para lanchar com amigas, fazer experiências nas escolas antigas das filhas (porque ficou amiga da Professora e não custa nada?!), fazer parte da Associação de Pais e pratica Yoga. Aparece sempre com a roupa lavada, bem cheirosa, passada, a condizer e com uma muda, porque não sai de leggins para a rua.

Conclusão: no que diz respeito a Mãe versus Escola o que conta é a Experiência e, depois de 3, parece que o tempo funciona em ordem inversa. Como escrevi aqui há uns meses, a Matemática do Mundo Materno tem regras próprias.

 

 

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Lóide Sofia Amaral Rodrigues Simões da Silva
23.10.2018

E o mais frustrante é que parece que só sabemos quando esses anos já lá vão…. Somos todas Mulheres e Mães fantásticas ❤️