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Já foram dar um mergulho à Praça da República?

Desde o dia 25 podem espreitar um pouco daquilo que se esconde “Sob o Mar Português” através das incríveis fotografias do biólogo de Coimbra, Nuno Vasco Rodrigues

Era uma vez um menino que um dia viu num documentário um polvo. Ele descobriu que o polvo tinha uma capacidade de aprendizagem que até aí se julgava impossível para um invertebrado e, anos depois, quando viu um ao vivo no mar, ficou ainda mais fascinado. É que para quem não sabe o polvo, que a maior parte de nós está habituado a ver no prato, é um animal que tem uma espécie de super-poder: muda de cor e textura instantaneamente para se confundir com o fundo marinho, por isso passa despercebido quer aos predadores quer às presas. E a melhor parte é que o fundo do mar está cheio de super-heróis como ele por isso, aquele menino, chamado Nuno Vasco Rodrigues, nunca mais parou de mergulhar.

Cada vez que mergulho, sinto que levo uma lição de humildade, contou-nos o agora biólogo marinho, autor da exposição de fotografia Sob o Mar Português, no Liquidâmbar. São 13 imagens feitas em águas nacionais, algumas no continente, mas também nas ilhas dos Açores e Madeira. Uma selecção representativa do que se pode encontrar, mas que não é familiar à maior parte das pessoas. Optei por imagens não apenas esteticamente apelativas mas, acima de tudo, imagens com uma história que merece ser contada, explicou-nos o Assistente de Curador do Oceanário de Lisboa, envolvido em diversos projetos científicos e de conservação.

Olho_de_choco_Berlengas

No Liquidâmbar podem ver, por exemplo, uma lesma-do-mar que Nuno fotografou no Algarve e que, apesar de ser bastante comum na nossa costa, habitualmente passa despercebida aos mergulhadores por ser pequena. Enquanto zona de transição entre águas subtropicais a Sul, águas frias a Norte e águas mediterrânicas a Este, Nuno Vasco Rodrigues garante que o mar português é único, com uma biodiversidade imensamente rica, porém ainda relativamente pouco estudada.

Na exposição também podem ver um tubarão-azul, fotografado nos Açores, que é uma espécie muito importante para o equilíbrio ecológico dos ecossistemas marinhos, mas que é cada vez menos abundante nas nossas águas devido à pesca excessiva. Aqui entra a parte do alerta que o biólogo marinho também faz questão de fazer, porque desenvolver a paixão pelo mar também levou a que tivesse uma maior noção das ameaças que os ecossistemas marinhos enfrentam nos dias de hoje, segundo ele cada vez mais sérias e em maior número. Problemas como o plástico, o aquecimento global e a sobrepesca, cujos grandes culpados somos, como sabemos, todos nós.

Vão ao Liquidâmbar, mergulhem no trabalho do Nuno Vasco Rodrigues, e também podem descobrir mais aqui, no Instagram do investigador com mais de mil horas submerso em diversos lugares do mundo, autor de artigos científicos e 2 livros sobre a fauna marinha de Portugal – vai lançar brevemente o terceiro sobre peixes marinhos de São Tomé e Príncipe.

Fiquem também com estas dicas, para vocês e para cativarem os vossos filhos, amigos ou sobrinhos:

“Vão até à praia, explorem as poças na maré baixa que estão cheias de vida. Ponham uma máscara de mergulho na cara e explorem o que se encontra abaixo da superfície em áreas marinhas protegidas como as Berlengas e o Parque Marinho Luiz Saldanha, na Arrábida. Visitem aquários como o Oceanário ou Aquário Vasco da Gama, e testemunhem o trabalho de conservação marinha feito por estas instituições e conheçam os programas de Educação de alta qualidade que possuem. Vejam documentários como o Blue Planet ou An Ocean Mystery: The Missing Catch e leiam livros como o The End of the Line. Como diria um engenheiro florestal senegalês: protegemos apenas o que amamos e amamos apenas o que conhecemos. Foi através do conhecimento sobre o mar que foi crescendo esta minha paixão que me leva a querer protegê-lo. Se de alguma forma conseguir contagiar mais pessoas, a missão será mais fácil de realizar.”

E já agora,  recusem também o plástico e outros produtos poluentes, ajudem a criar pressão na indústria para que altere o cenário actual do plástico descartável, e optem por consumir peixes de stocks estáveis e pescados de forma sustentável ou de aquacultura, preferencialmente local.

O mar português (e não só) agradece.

 

ATÉ MEADOS DE OUTUBRO | EXPOSIÇÃO SOB O MAR PORTUGUÊS
Liquidâmbar, Praça da República nº28, Coimbra
Horário: 16h – 1h
Contacto: liquidambarcoimbra@gmail.com | 962 489 489

 

 

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