Sim, meditar é para todos (e só de ler já vão ficar mais relaxados)

Inês Teixeira2014-05-04 14_1_Fotor-1
Antropóloga e Ambientalista
ines.af@gmail.com

Foto: Pedro Costa

Com as férias a terminar, recomeça a azáfama da preparação da rotina. No entanto, por muito agitados que possam ser os próximos meses, não podemos esquecer o quão importante é saber desligar da turbulência externa, mantendo o contacto com a calma interior. Por muito que o nosso trabalho e rotina nos obriguem ao constante movimento, físico e mental, a nossa saúde agradece o cuidado que possamos ter com corpo e mente, o que requer a capacidade de parar uns minutos e olhar para dentro, sentir a presença do aqui e do agora, a presença do SER. Uma das melhores formas de fazer isto é através da meditação.

Para quem não sabe, ou tem apenas uma vaga ideia, a meditação é uma prática oriental definida de acordo com o contexto, mas o que nós pretendemos é mesmo atingir um estado de clareza mental, emocional e, consequentemente, físico, para que o stress da rotina diária não nos consuma e não nos tire os pés da terra. E sim, qualquer um de vocês o pode fazer. Basta ter em atenção que o objectivo é focar a mente em qualquer coisa que não faça o pensamento voar, como um objecto, lugar, pensamento, respiração ou uma actividade. Aqui vão algumas técnicas que podem utilizar para conseguirem esse tempo tão precioso e tão vosso:

1º Escolham um lugar: em casa ou na Natureza, desde que não haja distracções. Sugiro que apaguem a televisão, rádio ou outros aparelhos que emitam este tipo de estímulos sonoros;

2º Estipulem um tempo: é importante definir um mínimo de duração, pelo menos no início, para se habituarem;

3º Escolham a posição: a melhor é aquela em que se sintam confortáveis e estáveis, desde que com a coluna direita. Normalmente a posição sentada é a que nos permite este repouso, mas podem fazê-lo em qualquer uma, mesmo caminhando. Se colocarem as mãos nos joelhos for desconfortável, basta colocá-las no colo ou ao lado do corpo. Não se esqueçam que o importante aqui é focar a mente, e para isso o corpo tem de estar relaxado e confortável;

Para ajudar na concentração podem queimar um incenso (cuidado com a qualidade), pôr uma música calma de fundo, apagar as luzes, fechar os olhos (excepto se estiverem a caminhar ou a fazer outra actividade), respirar pelo nariz. Tentem criar um foco positivo, ou seja, em vez de se esforçarem para afugentar os pensamentos do dia-a-dia, tentem focar-se nalguma coisa.

O foco na respiração é a melhor sugestão que vos posso dar. Desde sentir o ar a entrar e sair das narinas, até à expansão e o esvaziar dos pulmões. Foquem-se na respiração abdominal em vez da peitoral. Só a atenção nesta entrada e saída de ar dos lobos inferiores dos pulmões já vai ajudar a uma boa concentração. Sintam-na, mas não a analisem.

A caminhada na Natureza tem o mesmo efeito, se prestarem atenção apenas ao que vos rodeia: aos odores, aos sons, às imagens, às texturas. Ou então podem utilizar actividades rotineiras, como quando estiverem a lavar a loiça, por exemplo. Pensem apenas no que estão a fazer: “estou a pôr detergente na esponja”, “estou a esfregar o prato” – não com palavras insignificantes, mas com a consciência da acção. Se o pensamento fluir para outras paragens, vamos pensar sobre ele, deixá-lo seguir caminho e trazer de volta o foco.

No início a meditação pode ser difícil, e podem mesmo chegar a um estado de frustração, mas saibam que isso é normal e que só com a prática é que se começa a atingir a calma interior, chegando ao ponto de perceber que o objectivo está ao alcance de todos. Todos conseguimos estar Aqui Agora, e o stress fica lá fora.

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