Há por aí amantes de aves? Se há não podem perder estes passeios

 

Inês Teixeira2014-05-04 14_1_Fotor-1
Texto e Fotos Antropóloga e Ambientalista
ines.af@gmail.com

 

Sabem o que é um paul? Os pauis são ecossistemas de Zona Húmida, protegidos pela  Convenção sobre as Zonas Húmidas de Importância Internacional – Convenção de Ramsar. São muito importantes na purificação da água, no abrigo de aves migradoras, no combate ao efeito de estufa pela retenção de CO2 e no controlo de inundações e erosão. Para além de serem dos ecossistemas mais produtivos do planeta, esta transição entre o meio aquático e o terrestre faz deles um paraíso em termos de biodiversidade, por isso são locais de eleição para amantes da Natureza, especialmente observadores e anilhadores de aves.

Que tal uma visita a 3 dos últimos exemplares de pauis da Região Centro? Fazem todos parte das Zonas de Protecção especial (ZPE) e ficam todos no nosso Baixo Mondego:

Paul de Arzila: fica a 11km de Coimbra, junto a Arzila. Tem cerca de 535 ha. Tem um percurso circular de cerca de 1,9km onde há vários pontos e uma torre de observação, de onde podem tentar avistar cerca de 130 espécies de aves, incluindo uma pequena colónia de garça-vermelha, e várias espécies de mamíferos, répteis, anfíbios e peixes. Para além da rica diversidade de fauna e flora, também podem visitar uma pequena mostra de instrumentos de elevação de água usada em tempos idos.

Paul do Taipal: é junto a Montemor-o-Velho. Tem 233 ha. Em 1970, sofreu alagamento pela interrupção das valas de drenagem, durante a construção da actual Estrada Nacional 111, o que deu lugar à expansão de caniço, bunho, junco, golfão-branco, salgueiro e amieiro. Aqui há dois pontos de observação que abrangem toda a área e, com sorte, uma grande biodiversidade, como a garça-vermelha ou o peneireiro-comum.

Paul da Madriz: fica no concelho de Soure, entre Montemor-o-Velho e Soure. Tem 40 ha. Entre áreas agrícolas e florestais, este paul não foge à regra e é extremamente importante para a avifauna porque está rodeado por bosques ripícolas. Caminhar por dentro é difícil mas estes 3 percursos facilitam o trabalho. Entre a vasta fauna pode ter-se a sorte de ver lontras, aves migradoras ou mesmo corujas.

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Fotos de Inês Teixeira

Nesta sequência de Zonas Húmidas do Baixo Mondego não podemos deixar de referir o Estuário do Mondego. Para além de ser actualmente um dos principais centros salineiros de Portugal, é uma excelente área para observar aves limícolas, que se alimentam junto a zonas húmidas e que fazem grandes migrações. Entre outras espécies não deixem de tentar ver os flamingos que podem chegar às largas dezenas.

É um privilégio poder usufruir de áreas tão importantes, por isso, e porque são protegidas, é importante respeitarem as normas de visita. Estas Zonas Húmidas podem ser bastante importantes no futuro, assegurando o abastecimento de água e a diversidade de fauna e flora. Levem roupa confortável, água e repelente de mosquitos.  

Boas explorações!

 

 

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