ECO FIT PASSEIOS

Por quê escolher entre serra e praia quando podemos ter ambos – vamos?

Inês Teixeira2014-05-04 14_1_Fotor-1
Antropóloga e Ambientalista
ines.af@gmail.com

 

 

 

Com o solstício de Verão aí à porta, trazemos a sugestão de um trilho com o mar como pano de fundo. O PR3/FF (Pequena Rota) conta com um percurso, maioritariamente de terra batida, que percorre as encostas da Serra da Boa Viagem, entre a Figueira da Foz/Buarcos e as praias da Murtinheira e de Quiaios.

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Com início na Capela de Santo Amaro, começa-se a descer por entre vegetação em direcção ao farol do Cabo Mondego, até que as árvores e arbustos dão lugar a uma paisagem de escarpas calcárias. Passamos por zonas que nos mostram as verdadeiras feridas da Serra causadas pela extracção de cal, que põe a descoberto uma riquíssima sedimentação Jurássica e Cretácica.

Tomamos mais consciência desta viagem no tempo quando descemos rumo ao Vale de Antas, com cuidado a cada passo que damos para não pisarmos um fóssil, provavelmente de amonite. Os moluscos cefalópodes, semelhantes às actuais lulas e chocos, terão vivido há 400 – 66 milhões de anos (entre o Jurássico médio e o Cretáceo), e nesta serra podemos encontrar inúmeros exemplares com 180 – 140 milhões de anos.

Continuando caminho pelas encostas escarpadas em direcção à praia da Murtinheira, passamos por vistas fenomenais, onde o horizonte nos brinda com o infinito. Depois de passarmos a zona urbanizada ao nível do mar, é tempo de começar a subir a serra, desta vez por um trilho um pouco mais difícil com subidas mais íngremes. O cansaço? Desaparece aos 250 m de altitude, momento em que se chega ao Miradouro Bandeira. A vista é inspiradora, desde os hectares de floresta (Gândara) até às praias de Quiaios, Tocha e Mira. Não é de admirar que tenha sido um posto de vigia de embarcações. O painel de azuleijos, lá nas alturas, ilustra-nos o que os nossos olhos tentam alcançar.

Apesar dos incêndios e da fragmentação pela busca de cal, que não nos permitem esquecer o quão necessária é a preservação deste pedaço histórico de terra tão rico em termos geológicos, a Serra merece ser (re)visitada com olhos de quem aprecia este contraste paisagístico entre alturas, planícies, floresta e mar. Há muito por explorar e a riqueza geológica e histórica está por todo o lado, basta procurar nas redondezas as pegadas de dinossauros do Jurássico Superior, a grande quantidade de fósseis do Jurássico/Cretáceo ou os dólmenes do Neolítico.

Dada a escassa marcação do percurso, nós inovámos (de novo) e percorremos 13 km (porque gostamos mesmo de explorar), portanto voltamos a deixar um conselho de amigo para quem se quer manter no trilho: dêem uma vista de olhos ao percurso antes.

Não se esqueçam do chapéu e da água – são essenciais.

Coordenadas GPS: N40 11.665  W8 53.152 (Início/Fim do Percurso)

 

 

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