ECO PASSEIOS

Em busca das Buracas de Casmilo

INÊS TEIXEIRA 
Antropóloga e Ambientalista
ines.af@gmail.com

 

Agora que a Primavera aqueceu, damos-vos uma sugestão para aproveitarem o ar puro e as belas paisagens escondidas do quotidiano rotineiro. A dica de hoje é o Trilho das grandes Buracas de Casmilo, que começa na aldeia de Casmilo (Condeixa-a-Nova), a 30 minutos de carro de Coimbra, entre a Senhora do Círculo e a Serra de Janeanes.

A terra batida permite a entrada de carros, mas nós achámos que os pés nos levariam mais longe e nos trariam um silêncio fundamental para absorver toda aquela paisagem. Não estávamos enganados. Orientámo-nos pela aplicação Wikilock, mas como já é habitual deixámo-nos levar pelo vento e alterámos um pouco o percurso (enganámo-nos com frequência mas, para quem acreditar, terá sido sempre de forma consciente). 

Deparámo-nos com toda uma paisagem cársica, que nos ensina um pouco sobre a geomorfologia destas formações de calcário. Os campos de lapiás, resultantes da dissolução das rochas calcárias à superfície, e a dolina em forma de lagoa, formada pela dissolução química destas rochas, a fazer-nos lembrar a ponta de um iceberg. Felizmente, este é o local ideal para perceber o que já esteve submerso, e o que ainda poderá estar por baixo dos nossos pés.

Quando descemos começamos a vê-las, as grandes Buracas. Rodeadas por grandes escarpas, estas grutas são salas de túneis interiores, cuja parte central terá abatido, deixando as laterais a descoberto. Acredita-se que terá sido desta forma que se formou o vale por onde caminhamos – o Vale dos Covões. Ao mesmo tempo que nos deparamos com um passado geológico imaginário, cruzamo-nos com um presente em constante movimento, reflectido na presença humana, com os muros de rocha calcária e os rebanhos que se atravessam no caminho. 

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Depois de explorarmos as buracas, a subida pela serra leva-nos a pôr à prova a nossa resistência; mas a paisagem e o som da Natureza montanhosa fazem-nos imediatamente esquecer qualquer dificuldade, sentida por um corpo com pouca preparação física. Depois de uma descida mais íngreme, chegamos a uma nova e deliciosa fracção do percurso, em tom de bosque autóctone, onde podemos descansar e respirar a boa energia do ar puro. É daqui que subimos de volta à aldeia, passando por um miradouro que nos mostra o Vale arborizado e rochoso dos Covões.

O percurso é relativamente fácil, apesar de algumas subidas mais íngremes. É boa ideia levar água e uns snacks para repôr energias, porque ainda se demoram entre 2 a 3 horas a fazer os cerca de 6,5 km. Ainda que sejamos fãs de improvisar o percurso, a sinalização é fraca, portanto aconselhamos uma preparação prévia e, claro, calçado confortável e protecção solar. Para os amantes de actividades ao ar livre, como escalada, montanhismo ou rappel, esta zona pode ser uma agradável surpresa. 

Boas caminhadas e não se esqueçam: respirem e sintam.

 

*Coordenadas GPS do início do percurso: N40 03.296 W8 29.864

 

 

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