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Já têm planos para o 25?

São 44 Abris desde o 25 que trouxe a Liberdade a Portugal, coberta de cravos. Desde então a data nunca é esquecido e é celebrado um pouco por todo o país. Coimbra não é excepção, a cidade celebra a Revolução de várias formas e em várias moradas. Reunimos alguns dos programas disponíveis:

25 ABRIL | 00H ATENEU

Como todos os anos, ao soar das doze badaladas, canta-se a Grândola Vila Morena, de Zeca Afonso, e faz-se a Queima do Fascismo à porta do Ateneu de Coimbra, junto à Sé Velha. Antes, o Foles e Cantorias de Santa Clara e o Orfeão Dr. João Antunes fazem o aquecimento, seguidos do recital de poesia Igualdade Serei Livre da Escola da Noite/Bonifrates, canto livre pelo GEFAC e, na República dos Kágados (Rua Joaquim António de Aguiar nº 98), o concerto 25 de Abril Sempre. Este ano, o Ateneu conta com a participação de 52 organizações nas comemorações do Dia da Liberdade. Algumas já decorrem desde o início do mês, como a exposição Descobrindo a História da Liberdade, patente até 18 de Maio no Museu Moinho das Lapas, em Cernache, e o 1º Vinte e Ciclo de Abril, na República do Bota-Abaixo (Rua S. Salvador nº 6).

25 ABRIL | 15H MANIFESTAÇÃO

Com início na Praça da República, a manifestação pelo Dia da Liberdade segue até ao Pátio da Inquisição, seguida de um espectáculo com a Orquestra Geração do Conservatório de Música de Coimbra e os músicos Miguel Araújo e Tiago Silva.

25 ABRIL | 17H30 MESA REDONDA

Cláudia Castelo, Joana Brites, Álvaro Garrido e Pedro Monteiro falam sobre o tema O Portugal do Estado Novo, moderados por Miguel Bandeira Jerónimo. O evento é aberto ao público e tem lugar na Oficina Municipal do Teatro.

25 ABRIL | 20H | JANTAR VOLANTE 

Por 6€ quem quiser, e mediante inscrição prévia, pode jantar na Tabacaria do Teatrão depois da Mesa Redonda e antes da estreia do espectáculo Eu Salazar.

25 ABRIL | 21H30 TEATRO: EU SALAZAR

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“É sempre boa altura para falar do passado”, diz-nos Ricardo Trindade. O Teatrão recebeu-nos num ensaio para a imprensa da peça Eu SalazarUma peça que é mais do que isso, é um projecto, bem ao jeito daquilo a que a companhia já nos habituou, um espetáculo teatral complementado com uma série de actividades paralelas como um road movie, oficinas para alunos do ensino secundário e um conjunto de mesas-redondas organizadas e coordenadas pelos consultores científicos Joana Brites (CEIS20), Luís Reis Torgal (CEIS20), Miguel Bandeira Jerónimo (CES) e Rui Bebiano (Centro de Documentação 25 de Abril).

Na peça assistimos à reconstituição, ou, melhor dito, à interpretação de cada actor de pedaços da vida de António Oliveira Salazar. Desde a infância no Vimieiro, Santa Comba Dão, até aos romances e recordações da mãe no leito da morte. Mantendo uma posição absolutamente neutra, o que nós fizemos foi brincar com Salazar, como uma criança brinca com pedaços de plasticina de várias cores diferentes, continua a explicar o actor Ricardo Trindade, lembrando que esta é apenas mais uma iniciativa a somar a muitas outras que acontecem no ano em que fazem 50 anos desde a “queda da cadeira”, que acabou por ditar o afastamento de Salazar do Governo português no Estado Novo.

Entretanto, o Teatrão vai fazer cerca de 25 oficinas em escolas de recolha de opiniões e exercícios com alunos do ensino secundário de praticamente todas as escolas de Coimbra, cruzando as linguagens de teatro e cinema. O resultado vai resultar num road movie assinado por João Vladimiro, que também vai incluir todo o trabalho de investigação e criação das personagens da peça, que visitaram os locais por onde passou o antigo ditador português, inclusive a Universidade de Coimbra. Depois da estreia em Coimbra, Eu Salazar parte em digressão até cidades como Lisboa, Porto, Aveiro, Guarda, Tábua, Santa Comba Dão e Ponte de Lima. Quanto à peça, e nas palavras de Nuno Camarneiro, co-autor do texto,  o espetáculo não pretende explicar o que há muito foi entendido, tampouco maquilhar o monstro ou ainda domesticá-lo. Nos 50 anos da queda de uma cadeira, Salazar é uma questão ainda sem resposta e este espetáculo é apenas mais uma pergunta, pelo prazer inútil e sublime de perguntar.

PRÓXIMAS MESAS-REDONDAS

ARTE, TRADIÇÃO E MODERNIDADE
5 de Maio, 17h30
Moderação de Joana Brites

OPOSIÇÕES E RESISTÊNCIAS
12 de Maio, 17h30
Moderação de Rui Bebiano

SALAZAR – O HOMEM E O MITO
13 de Maio, 21h30
Moderação de Luís Reis Torgal

25 ABRIL | 21H30 CONCERTO: PEDRO BARROSO

Pedro Barroso © Carlos Lima
Pedro Barroso © Carlos Lima

Pedro Barroso leva Música e Palavras, ao Convento de São Francisco, no Dia da Liberdade. Pensar que o músico se estreou na década de 1960 a fazer teatro radiofónico com Odette de Saint-Maurice na ex-Emissora Nacional, e depois no mítico programa televisivo Zip-Zip. Altamente polivalente, além da música e do teatro, Pedro Barroso foi professor de Educação Física, estudou Psicoterapia Comportamental e ensinou crianças surdas-mudas numa escola de Ensino especial em Lisboa. Desde o 25 de Abril de 1974 que o artista, que os concertos são como que encontros de amigos, colabora regularmente em inúmeras actuações por todo o país, nomeadamente junto às comunidades emigrantes. Com mais de três dezenas de discos editados, Barroso também publicou poesia – Cantos falados (Ed. Ulmeiro, 1996) e Das Mulheres e do Mundo (Ed. Mirante (2003) -, e ficção A História Maravilhosa do País Bimbo (Calidum, 2005), uma reflexão amarga e irónica sobre a sociedade portuguesa.  Em 2012 lançou Cantos da Paixão e da Memória (Ovação), e em 2014 Palavras ao Vento (Ovação). É considerado um dos últimos trovadores da geração que ajudou a conquistar a democracia através canção.

“A Arte é, a meu ver, uma linguagem maior da Humanidade. Um elo de ligação planetário. Um modo de comunicação humana universal, sem necessidade de tradutor. E, nela, a Música é como a grafologia dos sons. A explicação de tudo num formato de sensibilidade e de paixão. Uma forma emotiva de expressar sentimentos, sem necessidade de mais explicação. Porém, se à Música adicionarmos as Palavras certas – haja para isso o talento que não tenho- talvez se atinja a plataforma ideal de comunicar e a forma mais plena de nos entendermos.”

Pedro Barroso

Pode ver aqui o programa completo de Comemorações do 25 de Abril a decorrer até Maio.

25 ABRIL | 21H30 | CONCERTO PEDRO BARROSO
Convento São Francisco | Av. Guarda Inglesa Coimbra
Bilhetes: 10€, 13€ ou 15€, (8€, 11€ ou 13€ com descontos =/<30 anos, =/> 65 anos e grupos =/>10 pessoas) ou 6€ na 1.ª fila de visibilidade reduzida
Contactos: bilheteira@coimbraconvento.pt, 239 857 191

25 ABRIL – 13 MAIO | EU, SALAZAR
4ª a Sáb às 21h30, Dom às 19h
Oficina Municipal do Teatro, Rua Pedro Nunes s/n Coimbra
quarta a sábado às 21h, domingo às 19h

Bilhetes: 10€ (geral), 5€ (estudante, sénior), 4€ (grupos + 10 pessoas), 7€ (parceiros protocolados)
Contactos e reservas: reservas@oteatrao.com | 912511302

 

 

 

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