COOLTURA

Três euros, três bandas e (pelo menos) dois finos

Sexta, 27 de Abril, o Circuito Super Nova, organizado pela Super Bock, passa pelo Salão Brazil. Por quê Super Nova? Porque descobrir uma supernova é uma raridade, e o seu brilho é superior a 100 mil milhões de estrelas da galáxia. E depois de 18 sessões de Norte a Sul do país, 24 bandas, 54 concertos e mais de 13 mil pessoas a vibrar ao som de nova música portuguesa, a digressão continua a procurar estruturar e potenciar uma rede de casas de música ao vivo em Portugal. A proposta da marca de cerveja nacional é um bilhete de 3 euros que dá direito a 3 concertos e 2 finos. Há a particularidade de os bilhetes apenas estarem disponíveis no próprio dia à porta. A lotação, claro, é limitada à capacidade da sala.

Os primeiros a subir ao palco são os Sunflowers, às 22h. É uma dupla rock e punk psicadélico do Porto, ao estilo The White Stripes: ela, Carolina Brandão, na bateria; ele, Carlos de Jesus, na guitarra. Ambos cantam. A banda começou em 2014 e o segundo EP, Ghosts, Witches and PB&Js (2015), chamou as atenções. O primeiro disco saiu recentemente, chama-se The Intergalactic Guide to Find the Red Cowboy.

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Scúru Fitchádu é um projecto a solo, de Sette Sujidade, que combina baixos agressivos, batidas pesadas e funana tradicional de Cabo Verde. Com influências directas na sonoridade de nomes como Tricky, Tom Waits, Discharge, Bad Brains, The Prodigy, Atari Teenage Riot, Distance, Bitori nha Bibinha ou Tchota Suari, o projecto arrancou no início de 2016 com o single Ken ki Frâ? [Quem disse?]. Seguiu-se o EP digital de estreia auto-intitulado Scúru Fitchádu. Participou ainda na compilação Fnac Novos Talentos 2017 a convite de Henrique Amaro com o tema “Es ta trânu tchãn” [Eles tiram- nos o chão]. É Sette Sujidade quem assegura toda a produção, programações, sampling, ferro, gaita e restante “barulho”.

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Os Stone Dead não são mais levezinhos do que os anteriores. A Super Bock diz da banda de Alcobaça que: quem disse que o rock estava morto não ouviu Stone Dead. E é capaz de ter razão. Good Boys é o mais recente disco, lançado no ano passado, e assume-se como o documento que faltava no rock nacional. Nas palavras do sábio Mário Lopes, do Ípsilon (Público), Bruno Monteiro, João Branco, Leonardo Batista e Jonas Gonçalves são os trauteáveis Supergrass a chafurdar no fuzz dos Stooges, a sageza pop dos Kinks a aromatizar as paisagens desérticas do stoner, fantasias de Syd Barrett a rodopiarem em pás de moinho (que são os braços de Pete Townshend a envolverem a guitarra naquele seu movimento icónico) e groove rhythm’n’bluesbem encorpado, como nos ensinaram os Delta 72.

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A Super Bock convida as bandas nacionais e produz uma digressão nacional durante um período de tempo, possibilitando aos músicos todas as condições e aos espaços programação de qualidade e interacção entre eles.

 

27 ABRIL | 22H | CIRCUITO SUPER NOVA 
Salão Brazil – Largo do Poço,3, 1º andar, Coimbra
Bilhetes (à porta no dia do evento): 3€

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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